O Colapso da Ponte Juscelino Kubitschek: Reflexão sobre o Brasil
23/12/2024
O colapso da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que ligava as cidades de Estreito, no Maranhão, e Aguiarnópolis, no Tocantins, ilustra o Brasil: um país que quebra após e durante os avisos de que vai quebrar, deixando vítimas pelo caminho. A BR-226, rodovia federal que conecta as cidades de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), era responsabilidade do governo federal, atualmente sob a presidência de Lula, com Renan Filho (MDB-AL) como ministro dos Transportes, Fabrício Galvão como diretor-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito) e Fábio Pessoa da S. Nunes como diretor de Infraestrutura Rodoviária. O superintendente do DNIT no Tocantins é Renan Bezerra de Melo, que já foi preso pela Polícia Federal em 2017, após exercer o cargo de superintendente de Obras.
Em 21 de dezembro, um morador publicou um vídeo denunciando o estado da ponte:
“Já pensou se essa ponte cai? Já pensou o estrago que faz para os dois municípios?”, alertou. “Se acontecer um desastre, vão dizer que ninguém avisou. Mas estamos aqui avisando: isso aqui está um perigo!”
No dia seguinte, 22 de dezembro, um vereador de Aguiarnópolis, filmado por um colega na beira da ponte, também fez a denúncia:
“Olha só as rachaduras aqui. Gostaria de chamar a atenção das autoridades competentes”, pediu o vereador, apontando para as fissuras na estrutura.
Justamente quando ele fazia a denúncia, a pista rachou, criando uma dobra que uma pick-up passou como se fosse um quebra-mola. Logo depois, o buraco se expandiu, impedindo que uma moto passasse. "Caiu!" gritou o morador que filmava. O vereador e o colega correram para alertar as pessoas e verificar se alguém tinha sido atingido.
De longe, um outro morador filmou o desmoronamento da parte central da ponte. A tragédia levou oito veículos a despencarem. “Caiu a ponte, nesse momento, no Estreito. Tinha caminhões aqui. Que desastre”, lamentou o morador. Até a tarde de 23 de dezembro, a Defesa Civil de Estreito confirmou duas mortes e 16 desaparecidos. As buscas foram interrompidas devido ao derramamento de ácido sulfúrico de um dos caminhões no rio Tocantins.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, publicou um vídeo no Instagram informando suas providências após o colapso:
"Vou me deslocar até a divisa do Tocantins com o Maranhão para apurar as causas, comunicar aos governadores e iniciar a reconstrução da ponte."
O governador reeleito do Maranhão, Carlos Brandão, se solidarizou nas redes sociais, destacando a colaboração do governo federal na busca por soluções. Ele também suspendia as operações de mergulho devido à contaminação do rio.
Por outro lado, o presidente Lula, em sua postagem, expressou condolências pelas vítimas, acompanhando os desdobramentos da tragédia. A sua ausência nas semanas anteriores, no entanto, levanta questões sobre a responsabilidade do governo federal pela condição da ponte.
Onde estavam as autoridades?
Quatro dias antes do colapso, em 18 de dezembro, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), exaltava o governo Lula pelas condições da BR-226:
“Que beleza está a 226! Lutei muito pela federalização dessa rodovia! Gratidão ao querido presidente Lula”, escreveu Fátima, em uma postagem nas redes sociais.
Em julho de 2023, Renan Filho, também presente nas redes sociais, propagandeava a melhoria das rodovias no governo Lula. "Investimento em rodovias melhora a vida das pessoas", afirmava o ministro.
Até novembro de 2023, o governo federal havia garantido R$ 1,5 bilhão à empresa LCM Construção e Comércio, responsável por várias obras no DNIT, incluindo na BR-226. Porém, a LCM já enfrentava investigações da Polícia Federal por fraudar medições e superfaturar obras.
Reflexão.
O Governo Lula segue anunciando diversos pacotes de obras por todo o País, mas qual a eficácia das fiscalizações, aprovações de projetos, medições e entregas?
Quais as condições das nossas pontes hoje?
Existe um Plano de vistoria anual organizado pelo DNIT?
Qual foi a ultima vistoria realizada nessa ponte?
As balanças funcionam, Existem balanças implantadas nas entradas e saídas dos Estados?
Nossas Rodovias estão esfarelando por excesso de peso, existe algo sendo pensado para preservar a malha rodoviária?
Existem incentivos aos Estados para construção de rotas alternativas para carretas e veículos pesados em áreas portuárias e industriais?
São aspectos que precisam ser analisados e cobrados do Governo, que tem a marca de Governo de Infraestrutura.
Diego Muniz
Formado em Direito
MBA em Ciências Políticas
Pós em Direito Público
MBA em Administração Pública e Cidades Inteligentes
Foi Chefe de Gabinete da Presidência no Legislativo
Chefe de Gabinete no Executivo
Secretário de Obras e de Governo
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