O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ, na foto) divulgou um vídeo para rebater o despacho em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicita a Jair Bolsonaro um documento oficial que comprove o convite para a posse de Donald Trump nos Estados Unidos.
Bolsonaro havia solicitado a devolução de seu passaporte, apreendido pelo STF em uma das várias investigações das quais o ex-presidente é alvo, todas no contexto de um suposto golpe de Estado, conforme análise dos investigadores da Polícia Federal.
“Destrinchando a decisão de Alexandre de Moraes sobre o convite de Trump para Bolsonaro ir à sua posse nos EUA”, disse Eduardo, afirmando que “Trump enviou pessoalmente o convite a Bolsonaro”.
“Suposto golpe só com senhoras”
O filho do ex-presidente reclamou que a imprensa soube da decisão de Moraes antes dos advogados de seu pai e criticou a apreensão do passaporte de Bolsonaro, considerando que o “suposto golpe” não envolvia armas ou tiros, mas apenas “senhoras”.
“O presidente Bolsonaro retornou dos Estados Unidos [em 2023], foi à Argentina, participou da posse de Javier Milei, e não deu nenhum indício de que estaria disposto a sair do país, muito pelo contrário”, continuou o deputado.
Ao responder à reclamação de Moraes sobre o pedido de Bolsonaro para liberar o passaporte sem a apresentação dos documentos necessários, Eduardo questionou: “Quais são os documentos necessários? Será que é preciso vir num envelope especial, em papel de cartolina, com algum detalhe suntuoso ou assinado de próprio punho pelo presidente eleito Donald Trump? Um vídeo?”
“Este e-mail foi o que chegou para todo mundo. Todos que foram convidados por Donald Trump receberam essa mensagem, vinda do gabinete de Trump”, continuou o deputado.
“Eu não estou aqui fazendo gracinha, todo mundo sabe que estou muito envolvido nessa intermediação com a família Trump, com o gabinete de transição. Eu esperava muito por esse convite. Se fosse falsificar algo, teria feito lá atrás, não agora. Inclusive, o tempo até a posse é curto. Hoje é dia 11 de janeiro. Temos nove dias até o dia 20, dia da posse”, reclamou.
Eduardo explicou que, após receber o e-mail com o convite, é necessário preencher um link do serviço secreto americano com os próprios dados.
“Mesmo efeito que se tivesse negado”
O deputado também criticou o pedido de Moraes para manifestação da Procuradoria-Geral da República, que considerou uma “burocracia desnecessária” e interpretou como uma tentativa de atrasar a devolução do passaporte.
“Isso terá o mesmo efeito de uma negativa explícita de Alexandre de Moraes quanto à ida de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos”, afirmou, chamando o Brasil de “ditadura” e reiterando que “Trump enviou pessoalmente o convite para Jair Bolsonaro”.
“Não foi um assessor que fez o convite. Foi o próprio Trump que analisou e decidiu: ‘chamem Jair Bolsonaro’”, disse o deputado, acrescentando que a ex-primeira-dama Michelle também foi convidada, e que ambos devem participar de um jantar após a posse.
Defesa
Segundo Fábio Wajngarten, advogado de Bolsonaro, “a defesa do presidente Bolsonaro fornecerá e cumprirá as exigências do Ministro Alexandre, juntando aos autos toda a documentação competente”.
“Todo o mérito da construção das relações exteriores é do deputado Eduardo Bolsonaro. Posso garantir que o presidente Jair Bolsonaro foi convidado para a cerimônia mais seleta, com os mais próximos do presidente Donald Trump”, comentou Wajngarten em seu perfil no X, ele que foi chefe da Secom de Bolsonaro.
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