O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira, 9, durante intervalo do depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, que não tem nenhuma preparação para a hipótese preso em razão do processo sobre trama golpista.
“Eu não tenho preparação para nada, não tem por que me condenar”, disse Bolsonaro, que está presente na sessão.
Durante depoimento, Cid afirmou que o ex-presidente não apenas recebeu a chamada minuta do golpe, como também confirmou que fez alterações no texto.
“O presidente recebeu e leu [a minuta do golpe]. Ele, de certa forma, enxugou o documento, basicamente retirando as autoridades das prisões. Somente o senhor [Alexandre de Moraes] ficaria como preso. O resto, não”, disse Cid nesta segunda-feira.
“Em termos de data, não me lembro bem. Foram duas, no máximo três reuniões em que esse documento foi apresentado ao presidente”, disse.
Segundo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, a minuta era composta por duas partes: a primeira continha os ‘considerandos’ e a segunda previa a possível decretação do estado de defesa, estado de sítio e prisão de autoridades.
“A primeira parte eram os ‘considerandos’ — cerca de 10 páginas, muito robustas. Essa parte listava possíveis interferências do STF e do TSE no governo Bolsonaro e no processo eleitoral”, declarou Cid.
No depoimento, Cid afirmou que coube ao ex-presidente Jair Bolsonaro excluir ministros do STF entre outras autoridades que poderiam ser presas.
O texto teria sido elaborado pelo ex-assessor da Presidência da República Filipe Martins.
“O documento mencionava vários ministros do STF, o presidente do Senado, o presidente da Câmara… eram várias autoridades, tanto do Judiciário quanto do Legislativo”, declarou Cid.
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