Pacientes renais crônicos de Guajará-Mirim, na fronteira de Rondônia com a Bolívia, deixaram de encarar 350 quilômetros de estrada até Porto Velho três vezes por semana para fazer hemodiálise. Com o serviço implantado no Hospital Regional Dr. Júlio Pérez Antelo, pela Mediall Brasil, empresa responsável pela gestão da unidade, o tratamento passou a acontecer na própria cidade, a poucos minutos da casa de boa parte dos 38 pacientes atendidos atualmente.
A rotina anterior começava antes do amanhecer. "A logística era feita via transporte daqui para Porto Velho, três vezes por semana. Saía por volta de três horas da manhã para estar lá pela parte da manhã. Uma viagem longa, são 350 quilômetros para ir", relatou o médico clínico geral Dr. Amilton da Silva Pereira, que atua no serviço de hemodiálise da unidade.
O cálculo do dia inteiro não se resumia ao trajeto. "Eles tinham que ir, são quatro, cinco horas de viagem, mais quatro horas de hemodiálise, mais o retorno para Guajará-Mirim. Sempre três vezes na semana, segunda, quarta e sexta", acrescenta. Segundo Pereira, o desgaste recaía sobre um grupo já fragilizado. "Era bem cansativo. São pacientes com múltiplas comorbidades, são pacientes idosos. Isso trazia uma qualidade de vida muito ruim".
O salão de hemodiálise do Hospital Regional começou a funcionar em julho de 2025, com sete poltronas, junto da nova Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e da sala de tomografia. A unidade foi inaugurada em março de 2025. "Hoje, graças a Deus, graças ao Governo do Estado, a gente tem aqui um hospital maravilhoso", acrescentou o médico.
Conforto
A distância que separa o paciente da máquina mudou de escala. "Os pacientes têm conforto aqui na nossa hemodiálise. Muitos estão a cinco minutos de casa, outros a 15 minutos. É bem rápido para eles estarem aqui, o que traz qualidade de vida", afirmou Pereira.
Para quem chega em estado grave, a diferença entre viajar e ser atendido na cidade tem outro peso, ressaltou o médico. "São pacientes extremamente delicados. Muitos, se tivessem ido para Porto Velho, já não estariam mais aqui fazendo essa hemodiálise. Esse processo de fazer as diálises aqui no município é muito importante para eles e também para a saúde em si. É uma inclusão social".
Números e atendimento fronteiriço
A condição de fronteira amplia o alcance do serviço. "Hoje temos em torno de 38 pacientes que fazem hemodiálise aqui. Alguns são oriundos da Bolívia, são moradores bolivianos. Como aqui é um hospital de fronteira, a gente também atende esses pacientes", explicou o profissional.
O atendimento não fica restrito ao salão. Pacientes internados na UTI que precisam de diálise são acompanhados pela equipe no próprio leito. "Quando estão na UTI e precisam fazer, a gente vai lá e atende também, aqui do lado", completou Pereira.
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