É evidente que a seleção brasileira deveria jogar mais em casa. Verdade, tem a garantia de nove jogos em cada ciclo das Eliminatórias, mas que tal um amistoso de vez em quando? Seria bom. Mas tem um problema. Precisa de adversários.
A Bolívia ia ser anfitriã contra a Gâmbia no domingo. Não rolou. Os africanos desistiram. Tudo bem, o encontro foi organizado no último minuto, e ir para a Bolívia deveria ser bem menos atraente do que o jogo no Brasil. Mas o processo de ter amistosos em casa não está fácil nem para a Argentina. Em março, conseguiu seduzir a Mauritânia e a Zâmbia, e agora é Burkino Faso e, para a grande despedida de Messi, o Benim — todas seleções africanas que não foram para nenhuma Copa do Mundo.
.nsnbn{max-width:800px;width:100%;display:flex;align-items:center;gap:18px;padding:16px 18px;border:2px solid #fff;border-radius:16px;text-decoration:none;font-family:Arial,sans-serif;overflow:hidden;box-shadow:0 6px 18px rgba(0,0,0,.12);transition:all .2s ease;margin:16px auto;box-sizing:border-box} .nsnbn:hover{transform:translateY(-2px);box-shadow:0 10px 24px rgba(0,0,0,.18)} .nsnbn-image{flex-shrink:0;width:170px;height:95px;border-radius:12px;overflow:hidden;border:2px solid rgba(255,255,255,.35)} .nsnbn-image img{width:100% !important;height:100% !important;object-fit:cover;display:block;max-width:none !important} .nsnbn-content{flex:1;color:#fff;min-width:0} .nsnbn-badge{display:inline-block;background:#fff;font-size:11px;font-weight:700;text-transform:uppercase;letter-spacing:.3px;padding:5px 9px;border-radius:999px;margin-bottom:8px} .nsnbn-content h3{margin:0 0 6px !important;font-size:23px !important;line-height:1.1 !important;font-weight:800 !important;color:#fff !important} .nsnbn-content p{margin:0 !important;color:rgba(255,255,255,.92) !important;font-size:14px !important;line-height:1.4 !important} .nsnbn-button{flex-shrink:0;background:#fff;font-size:14px;font-weight:700;padding:11px 16px;border-radius:9px;white-space:nowrap;transition:all .2s ease} .nsnbn:hover .nsnbn-button{background:#f3f3f3} @media (max-width:700px){.nsnbn{flex-direction:column;align-items:flex-start}.nsnbn-image{width:100%;height:180px}.nsnbn-content h3{font-size:20px !important}.nsnbn-button{margin-top:10px}}Confira as colunas de Tim Vickery na Trivela
Parece que o jogo contra o Benim vai rolar sem problemas, mas sábado à noite contra Burkino Faso beirou uma farsa. O time principal não viajou. Problemas técnicos com o avião? Talvez. Mas também parece que os atletas não estavam muito dispostos, que depois de atuar em jogos competitivos na África uma viagem tão longa seria um sacrifício — aquela palavra de novo — além da conta.
Então, no último minuto, mandou o time sub-23. Chegou em Buenos Aires no horário de almoço do sábado, e poucas horas depois foi para o campo no estádio Monumental. Levou três gols nos primeiros onze minutos, e acabou perdendo por 7 a 0. Até o técnico argentino Lionel Scaloni confessou que isso é longe de ser ideal, mas frisou que não há muitas alternativas em termos de adversários disponíveis.
Tem uma questão importante aqui. A América do Sul — e especialmente o Cone Sul, onde o futebol é mais forte — fica muito longe do mundo. Isso não se trata de uma visão eurocêntrica. É um fato geográfico. Descendo, tem o Polo Sul. Subindo, a distância entre Buenos Aires e a Cidade do México é mais longe daquela entre Londres e Mumbai. Por um lado, o grande Oceano Atlântico. Por outro, o Pacifico.
A consequência para o futebol — não é fácil atrair adversários para enfrentar essas distâncias enormes para jogar um amistoso.
Além disso, fica difícil achar adversários disponíveis. Com a criação da Liga das Nações ficou quase impossível jogar contra uma seleção da Europa. No ciclo entre a Copa do Catar e a deste ano, quase houve espaço para a América do Sul jogar contra a Europa — basicamente foi somente março de 2024, março deste ano e os dias antes do Mundial.
Ficou, então, impossível trazer os europeus para a América do Sul, mas também é muito difícil enfrentá-los na Europa. Tenho a impressão que o Velho Continente, ao mesmo tempo, ganha e perde com essa situação.
Por um lado, enche o calendário com jogos competitivos, contra adversários páreos, sem ter que viajar muito. Tem sido bom, acho, para o desempenho da Europa dentro do campo — mas ruim para o desempenho da Europa fora dele.
A guia do exemplo, vamos puxar a sua campanha para derrubar Gianni Infantino como presidente da Fifa. Com um pouco mais de 50 membros de uma associação de 211, é óbvio que a Europa precisa costurar alianças para ganhar uma votação. Mas tem o que para oferecer?
O continente já congrega quase todos os melhores jogadores do mundo no seus clubes. E agora as suas seleções estão também ficando dominantes, fortalecidas por um calendário que funciona melhor para elas, mas que deixa a Europa fechada em si. Assim fica difícil ter projetos em conjunto com outras federações continentais, e a campanha para derrubar Infantino está claramente perdendo fôlego. Tem pouco mais do que um mês para um candidato aparecer, e até agora, nada.
Antes do próximo Congresso da Fifa, a seleção brasileira, mais uma vez, vai para a Ásia. Vai jogar em Singapura contra o Japão (muito interessante) e o país anfitrião (nem tanto). Mas se a Ásia consegue organizar a sua própria Liga das Nações, a busca por adversários nos amistosos vai ficar mais difícil ainda.
Comentários: