O senador Rogério Marinho (PL), uma das últimas testemunhas a ser ouvidas na ação penal sobre tentativa de golpe de Estado, negou nesta segunda-feira, 2, que o ex-presidente tenha sinalizado a intenção de uma ruptura institucional do país após as eleições presidenciais de 2022, segundo revelou O Globo.
"De maneira nenhuma Bolsonaro sinalizou a intenção de uma ruptura, golpe”, disse Marinho, na condição de testemunha de defesa do ex-presidente e do ex-ministro Walter Braga Netto.
“Não teve diálogo por parte do Braga Netto sobre ruptura, ele não me colocou nessa situação. Havia uma preocupação com o PL, organização partidária”, continuou.
Marinho afirmou ter visto uma “preocupação do presidente [Jair Bolsonaro] de que não houvesse excessos”.
“Estávamos chateados e não esperávamos a derrota. É natural e não é fácil uma derrota na circunstância que ocorreu”, acrescentou.
O senador ocupou o cargo de ministro do Desenvolvimento Regional no governo de Jair Bolsonaro, entre fevereiro de 2020 a março de 2022.
Antes, foi secretário especial da Previdência e Trabalho no Ministério da Economia, chefiado pelo ex-ministro Paulo Guedes.
Foi apontado como um dos principais articuladores da reforma da Previdência no Congresso Nacional.
Testemunhas
A fase de depoimentos no processo contra o núcleo central da trama golpista começou em 19 de maio.
Ao todo, 82 testemunhas foram ouvidas até 2 de junho.
As oitivas, conduzidas por juízes auxiliares do gabinete de Alexandre de Moraes, são realizadas por videoconferência e acompanhadas pelas defesas dos réus, representantes da PGR e ministros do STF.
Réus como Jair Bolsonaro e o general Walter Braga Netto acompanham as sessões por videoconferência.
Bolsonaro assiste de seu gabinete no PL, em Brasília, enquanto Braga Netto participa da prisão especial em que está detido, em uma unidade militar no Rio de Janeiro.
Entre os réus estão, além de Bolsonaro e Garnier, o deputado Alexandre Ramagem (ex-chefe da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-chefe do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
O grupo responde por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
As penas, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão.
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