Veia Política - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Domingo, 23 de Agosto de 2026

Política

Instituto que mede a eleição em Rondônia teve pesquisas barradas pela Justiça Eleitoral em três estados

Decisões no Amazonas, em São Paulo e em Santa Catarina apontam sempre os mesmos defeitos: ausência de nota fiscal, contratante que não resiste a checagem e material de apoio não entregue à Justiça. O Instituto Phoenix já divulgou sete rodadas de pesquisa no ciclo eleitoral rondoniense de 2026.

VEIA POLITICA
Por VEIA POLITICA
Instituto que mede a eleição em Rondônia teve pesquisas barradas pela Justiça Eleitoral em três estados
Divulgação
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Instituto Phoenix & Associados, que assina as sete rodadas de pesquisa de intenção de voto divulgadas em Rondônia no ciclo eleitoral de 2026, acumula ao menos quatro levantamentos barrados pela Justiça Eleitoral em outros estados brasileiros desde 2018. As decisões, proferidas por juízes diferentes em tribunais diferentes, apontam um conjunto recorrente de falhas: ausência de nota fiscal do serviço, contratante em situação irregular, material de apoio não apresentado no registro e erros no questionário.

Registrado sob a razão social J.J. Coelho – ME, o instituto tem como sócio-administrador José Juvenil Coelho e sede em Porto Velho. Sua rodada mais recente em Rondônia, registrada no TRE-RO sob o número 06747/2026, ouviu 961 eleitores em nove municípios entre 15 e 18 de agosto, ao custo de R$ 11.150, contratada pela empresa Freemedia Marketing Digital Ltda.

Amazonas, 2018. Em setembro daquele ano, o juiz Bartolomeu Ferreira de Azevedo Júnior, do TRE-AM, impediu a divulgação da pesquisa AM-09923/2018, que media as disputas para governador, senador e deputados. A ação foi movida pela coligação do então candidato ao governo Omar Aziz. Segundo a decisão, o levantamento não indicava com clareza a base de dados usada nem a área pesquisada, não apresentou os discos com os nomes dos candidatos, a cartela mostrada ao entrevistado, e não trazia a nota fiscal do serviço. Procurado pela imprensa local à época, o dono do instituto reconheceu que houve erros técnicos e disse que continuaria fazendo pesquisas.

Leia Também:

São Paulo, 2020. O TSE suspendeu a divulgação de uma pesquisa do instituto para a Prefeitura de Taubaté. Conforme apurou o portal Roraima em Tempo, o juiz Jorge Alberto Passos Rodrigues apontou erros grosseiros no questionário, entre eles o nome de uma candidata escrito de forma errada. A nota fiscal também não foi apresentada.

Amazonas, 2022. O caso mais grave. O juiz Luis Felipe Avelino Medina suspendeu a pesquisa AM-07859/2022 depois que a coligação do governador Wilson Lima mostrou que a empresa contratante estava inapta na Receita Federal, ou seja, impedida de movimentar conta bancária e manter situação fiscal regular. Novamente faltava a nota fiscal. A multa fixada em caso de descumprimento foi de R$ 50 mil

O estatístico tem empresa própria, também suspensa

As pesquisas do Instituto Phoenix em Rondônia são assinadas pelo estatístico Augusto da Silva Rocha, registro nº 7655 — o mesmo profissional que respondeu tecnicamente pelos levantamentos barrados no Amazonas.

Segundo apuração do portal RealTime1, Rocha é também proprietário da empresa AR7, cuja razão social é Augusto da S Rocha Eireli, e responde tecnicamente por outras companhias do ramo. Em outubro de 2020, durante as eleições municipais de Lages, em Santa Catarina, a AR7 teve pesquisa suspensa em definitivo, com multa de R$ 53 mil.

O fundamento da decisão catarinense interessa diretamente ao debate atual sobre custos de pesquisa. A empresa havia declarado que realizaria cerca de 2.500 questionários presenciais em seis cidades no intervalo de dois dias, sendo 490 entrevistas em Lages por R$ 5 mil. O juiz Wilson Pereira Júnior registrou que esse tipo de trabalho exige colocar muitas pessoas nas ruas e manter equipe qualificada para verificação dos dados, com gastos que certamente ultrapassam aquele valor. Meses antes, em agosto do mesmo ano, a AR7 já havia sido proibida de divulgar levantamento no município de Balneário Gaivota.

Ainda conforme o RealTime1, também tiveram pesquisas suspensas por irregularidades outras empresas que têm o mesmo estatístico como responsável técnico.

Atuação simultânea em três unidades da federação

Além de Rondônia, o Instituto Phoenix registrou pesquisas eleitorais em 2026 no Distrito Federal, sob o número TRE-DF 02356-2026, com 1.311 entrevistas em 18 cidades-satélites, e no Amazonas, sob o número AM-04327/2026. Todos os levantamentos têm o mesmo estatístico responsável. Nas rodadas de Rondônia e do Distrito Federal, o contratante informado é o Jornal Correio Continental.

A pesquisa registrada no Amazonas, ao custo declarado de R$ 8 mil, foi objeto de análise de especialistas ouvidos pelo portal RealTime1, que apontaram que levantamentos em estados de dimensões semelhantes costumam ter custos significativamente mais elevados em razão de deslocamento de equipes, supervisão de campo, treinamento de entrevistadores e processamento de dados. Uma segunda análise do mesmo portal apontou imprecisões conceituais e lacunas metodológicas na descrição do plano amostral registrado.

O que diz a lei

A Lei das Eleições determina que a divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa. A mesma norma prevê que partidos políticos podem requerer à Justiça Eleitoral acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades que divulgam pesquisas, incluindo a identificação dos entrevistadores. Obstruir essa fiscalização também é crime.

O registro de uma pesquisa junto à Justiça Eleitoral, por outro lado, não significa validação prévia de seu conteúdo. O Tribunal Superior Eleitoral apenas recebe e disponibiliza para consulta pública as informações técnicas apresentadas pelo instituto.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
Comentários:
VEIA POLITICA

Publicado por:

VEIA POLITICA

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!