Deputadas da bancada feminina da Câmara acreditam que, apesar da acentuada divisão ideológica do país reafirmada nos resultados do primeiro turno das eleições, a atuação do grupo continuará sendo suprapartidária.
Em entrevistas ao programa Painel Eletrônico, da Rádio Câmara, tanto a deputada Jack Rocha (PT-ES), atual coordenadora da bancada, quanto a deputada Soraya Santos (PL-RJ), que ocupou o cargo entre 2022 e 2023, defenderam, por exemplo, a luta pela reserva de cadeiras para as mulheres no Parlamento.
Hoje, há reserva de 30% para candidaturas femininas com recursos proporcionais, mas não de cadeiras. Jack Rocha acredita que a reserva poderia começar com os mesmos 30%. A partir de 2027, a bancada vai subir de 90 para 109 deputadas em um total de 513, ou seja, pouco mais de 20% (veja infográfico abaixo).
Para Soraya Santos, a reserva poderia ser de 50%, já que as mulheres representam 52% do eleitorado. Segundo ela, isso poderia até reduzir os ataques contra as candidaturas femininas. “Se você perguntar para as deputadas e parlamentares dos países europeus, elas não sofrem esse tipo de ataque, porque as cadeiras já estão lá definidas, isso já está consolidado”, disse.
Soraya Santos lembra que ainda há muito o que fazer, já que estados como Piauí e Roraima e o Distrito Federal não elegeram nenhuma mulher como deputada federal.
Para Jack Rocha, as mulheres acabam se unindo em relação a várias pautas que são comuns. “A gente consegue colocar o direito das mulheres acima de qualquer questão ideológica ou até mesmo de pensamento individual. No dia de hoje, infelizmente, as estatísticas nos mostram que vão morrer quatro mulheres vítimas de feminicídio no nosso país. Então, nós não podemos fechar os olhos para esses dados e estatísticas”, disse.
Jack Rocha explicou que a principal pauta é colocar mais recursos no Orçamento para temas como o combate à violência contra a mulher e o apoio ao empreendedorismo feminino.
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