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Sexta-feira, 02 de Outubro de 2026

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De Tevez a De Bruyne: Quem o Manchester City contratou durante período de irregularidades

Entre 2009 e 2018, o Manchester City gastou mais de 1,2 bilhão de libras no mercado. Foram nove temporadas em que o clube deixou de ser um projeto ambicioso de um novo proprietário para se transformar em uma potência consolidada do futebol inglês. E boa parte dos nomes contratados nesse intervalo se tornou símbolo dessa …

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De Tevez a De Bruyne: Quem o Manchester City contratou durante período de irregularidades
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De Tevez a De Bruyne: Quem o Manchester City contratou durante período de irregularidades

Entre 2009 e 2018, o Manchester City gastou mais de 1,2 bilhão de libras no mercado. Foram nove temporadas em que o clube deixou de ser um projeto ambicioso de um novo proprietário para se transformar em uma potência consolidada do futebol inglês. E boa parte dos nomes contratados nesse intervalo se tornou símbolo dessa transformação.

O recorte ganhou uma nova dimensão depois que a comissão independente da Premier League considerou o Manchester City culpado das acusações relacionadas a graves violações financeiras no período entre 2009/10 e 2017/18. A comissão concluiu que o clube utilizou acordos comerciais fraudulentos para inflar receitas e reduzir custos artificialmente em mais de 900 milhões de libras. A punição ainda será definida, e o City apresentou recurso contra a decisão.

Isso não significa, porém, que cada contratação possa ser individualmente classificada como produto de uma irregularidade. E nem todos os jogadores tiveram a mesma importância. Alguns ficaram pelo caminho, outros ganharam títulos. E alguns se tornaram a própria identidade do Manchester City moderno.

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De Tevez a Agüero: o Manchester City que virou time vencedor

A primeira grande transformação aconteceu antes mesmo de o City ter uma geração de craques capaz de dominar a Premier League. A temporada 2009/10 foi a primeira janela de verão completa depois da chegada do Abu Dhabi United Group, e o clube gastou cerca de 142 milhões de libras considerando as duas janelas daquele ciclo.

A estratégia era clara: contratar jogadores capazes de elevar imediatamente o nível do elenco e, ao mesmo tempo, enfraquecer concorrentes diretos. Carlos Tevez (41 milhões de libras), Emmanuel Adebayor (24,9 milhões de libras), Joleon Lescott (23,6 milhões de libras), Kolo Touré (16,1 milhões de libras) e Gareth Barry (11,9 milhões de libras) chegaram naquele primeiro grande pacote.

Tevez foi o rosto mais evidente daquela mudança. O argentino havia acabado de passar duas temporadas no Manchester United e sua contratação ganhou uma dimensão política e cultural que ultrapassava o campo. Em quatro temporadas, marcou 74 gols em 148 partidas pelo City e foi decisivo nas primeiras conquistas da nova era: a Copa da Inglaterra de 2010/11 e o título inglês de 2011/12.

Agüero pelo Manchester CityAgüero pelo Manchester City (Foto: IMAGO / Sportimage)

Mas Tevez não foi o único jogador desse período a representar a ruptura. Na temporada seguinte, o City investiu em Edin Dzeko (31,3 milhões de libras), Yaya Touré (24,9 milhões de libras), Mario Balotelli (24,5 milhões de libras), David Silva (23,8 milhões de libras), Aleksandar Kolarov (19,8 milhões de libras) e James Milner (18,2 milhões de libras).

Era uma mistura de força física, talento técnico, experiência e potencial. Touré foi fundamental para que o primeiro troféu deixasse de ser apenas um símbolo e passasse a ser o começo de uma nova realidade. Foram 436 partidas pelo clube em dez anos, quatro títulos da Premier League, duas Copas da Inglaterra e cinco Copas da Liga. O City chegou a erguer uma estátua em sua homenagem do lado de fora do Etihad.

Balotelli ocupou outro lugar na história. Seus números não se aproximam dos de Silva ou Touré, mas sua personalidade o transformou em personagem. A comemoração “Why Always Me?” depois dos dois gols na goleada por 6 a 1 sobre o United em Old Trafford é uma das imagens mais lembradas daquele período. E, no fim daquela temporada, foi Balotelli quem deu o passe para Sergio Agüero marcar o gol que mudou definitivamente a história do clube.

Agüero custou 35,3 milhões de libras ao City em 2011 e rapidamente se tornou o maior artilheiro da história do clube. Foram 260 gols em todas as competições, sendo 184 na Premier League. O gol contra o Queens Park Rangers, aos 93 minutos e 20 segundos da última rodada de 2011/12, deu ao City seu primeiro título inglês da era moderna e se tornou um dos momentos mais icônicos da história da competição.

Nas temporadas seguintes, o City já não precisava mais reconstruir tudo. Vieram jogadores como Fernandinho (34,3 milhões de libras), Álvaro Negredo (21,4 milhões de libras), Jesús Navas (17,1 milhões de libras), Javi García (16 milhões de libras), Matija Nastasic (12,1 milhões de libras), Jack Rodwell (11,9 milhões de libras) e Scott Sinclair (6,2 milhões de libras). Nem todos funcionaram.

A temporada 2012/13, por exemplo, terminou sem títulos e com o City 11 pontos atrás do Manchester United. Mas Fernandinho se tornou uma das peças mais importantes da história do clube: disputou 383 partidas em nove temporadas, ganhou cinco Premier Leagues e seis Copas da Liga e terminou como capitão entre 2020 e 2022.

De Fernandinho a De Bruyne: o City começa a construir sua identidade

A temporada 2014/15 foi um dos poucos pontos baixos desse processo de recrutamento. Eliaquim Mangala (35,9 milhões de libras), Wilfried Bony (24,8 milhões de libras), Fernando (12 milhões de libras), Bacary Sagna e Frank Lampard chegaram, mas nenhum se tornou uma peça estrutural do time.

Fernandinho e De Bruyne comemoram título do CityFernandinho e De Bruyne comemoram título do City (Foto: IMAGO / PRiME Media Images)

Bony, contratado depois de marcar 25 gols pelo Swansea, fez apenas seis gols em sua primeira temporada de Premier League pelo City antes de retornar ao clube galês dois anos depois. Lampard, por sua vez, tinha 36 anos e funcionou muito mais como uma contratação de peso e experiência do que como uma solução de longo prazo.

O salto seguinte veio em 2015/16. Kevin De Bruyne custou 54,3 milhões de libras e se tornou, naquele momento, a contratação mais cara da história do City. Raheem Sterling chegou do Liverpool por 45,5 milhões de libras, Nicolás Otamendi custou 31,8 milhões de libras e Fabian Delph, 8,2 milhões de libras. O belga rapidamente justificou o investimento: na primeira temporada, marcou 17 gols e deu 16 assistências. Mais tarde, se tornaria o jogador com mais assistências da história do City.

Sterling também teve impacto importante. Seus melhores números de gols em uma temporada de Premier League vieram justamente pelo City, quando marcou 18, 17 e 20 vezes entre 2017 e 2020. Sua transferência também teve um componente estratégico: o clube tirou do Liverpool um jogador que havia sido formado pelo rival desde muito jovem e que se tornaria um dos principais atacantes da Inglaterra durante a década.

O mais importante, porém, é que essas contratações já encontrariam uma estrutura diferente. Em 2016, Pep Guardiola chegou ao clube, mas não encontrou um elenco vazio. John Stones (46,1 milhões de libras), Leroy Sané (43,1 milhões de libras), Gabriel Jesus (27,6 milhões de libras), Ilkay Gündogan (22,4 milhões de libras), Claudio Bravo (14,9 milhões de libras) e Oleksandr Zinchenko (1,9 milhão de libras) foram adicionados ao grupo em sua primeira temporada.

Stones é um exemplo particularmente interessante porque representa a transformação do City em uma equipe capaz de reinterpretar a função dos jogadores. Contratado como zagueiro, o inglês passou a atuar também como meio-campista sob Guardiola e terminou sua passagem pelo clube com 20 títulos. Gündogan, por sua vez, seria decisivo em momentos que ultrapassaram sua função técnica.

Foi nessa combinação entre contratações caras, jogadores de perfil específico e capacidade de Guardiola de modificar funções que o City começou a se tornar aquilo que conhecemos hoje. O dinheiro permitia buscar jogadores em praticamente qualquer mercado. Mas o treinador passou a dar uma lógica comum a peças que, individualmente, tinham características muito diferentes.

De Bernardo Silva a Ederson: a geração que transformou investimento em dinastia

Se as primeiras contratações construíram o Manchester City vencedor, a janela de 2017/18 montou boa parte do time que se tornaria dominante na década seguinte. Aymeric Laporte (57,4 milhões de libras), Benjamin Mendy (51,3 milhões de libras), Kyle Walker (47 milhões de libras), Bernardo Silva (44,6 milhões de libras) e Ederson (35,7 milhões de libras) chegaram em uma temporada na qual o clube gastou 286,2 milhões de libras, a maior cifra do recorte analisado.

Walker e Mendy estabeleceram recordes de transferência para defensores naquele momento, enquanto Ederson chegou como um dos goleiros mais caros da história. Bernardo acabou sendo o maior símbolo desse último pacote. Foram 459 partidas pelo City, 76 gols e 20 grandes troféus, marca que o colocou ao lado de John Stones e Phil Foden como o jogador mais condecorado da história do clube.

Bernardo Silva em atuação pelo Manchester City (Foto: Imago/Pro Sports Images)Bernardo Silva saiu do Manchester City para se juntar ao Real Madrid (Foto: Imago/Pro Sports Images)

Ederson teve um impacto semelhante, embora em outra dimensão. O brasileiro não era apenas um goleiro contratado para defender a meta: tornou-se uma peça da construção desde trás, com a capacidade de encontrar passes que permitiam ao City avançar linhas sem abandonar sua estrutura. Walker acrescentou velocidade e capacidade defensiva para sustentar a linha alta e Laporte ofereceu qualidade na saída.

O resultado apareceu imediatamente. Na temporada 2017/18, o City terminou a Premier League com 100 pontos e 106 gols, estabelecendo recordes para a competição. Foi o primeiro título inglês de Guardiola e a confirmação de que o projeto havia passado para outra fase.

A decisão da comissão independente se refere às temporadas de 2009/10 a 2017/18, mas os jogadores contratados durante esse período continuaram produzindo resultados durante muitos anos. De Bruyne foi fundamental no tetra consecutivo da Premier League entre 2020 e 2024 e na Tríplice Coroa de 2022/23; Bernardo, Ederson, Walker e Laporte foram fundamentais na campanha que terminou com a primeira Champions League da história do clube.

Por isso, talvez seja impossível separar completamente a discussão financeira da história esportiva dessas contratações. Porque o tamanho do investimento ajudou a criar uma estrutura que continuou produzindo frutos muito depois do fim do período analisado pela comissão.

Essa é a maneira mais concreta de entender o tamanho daquela política de contratações: não foram apenas 1,2 bilhão de libras em jogadores. Foram nove temporadas construindo, peça por peça, o elenco que mudaria para sempre o tamanho do Manchester City no futebol inglês.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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