A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve disponível nas farmácias de todo o país, por mais de nove meses, um lote de diazepam 5 mg fabricado pela EMS, que havia sido suspenso pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais em novembro do ano passado, após constatação de risco à saúde da população. A EMS é o maior laboratório farmacêutico do Brasil e referência no setor de genéricos.
A determinação da Anvisa para suspensão nacional do lote só foi publicada em 3 de novembro de 2025. O lote, porém, tinha validade até este mês, o que torna o recolhimento praticamente inócuo.
Além disso, 16 dias após a decisão, a Anvisa revogou a suspensão, alegando “utilização de metodologias diferentes entre as análises de prova, contraprova e testemunho”, entendimento divergente do governo mineiro.
O problema identificado em Minas Gerais era a falta de uniformidade no conteúdo dos comprimidos, com variação na quantidade do princípio ativo presente em cada unidade. O diazepam é o princípio ativo do Valium, um ansiolítico clássico cuja patente expirou na década de 1980.
A Secretaria de Saúde de MG suspendeu o lote em 25 de novembro de 2024, após laudo da Fundação Ezequiel Dias. Dois dias depois, enviou ofício à Anvisa alertando sobre a irregularidade. Após contraprovas realizadas em março, o laudo foi remetido novamente à Anvisa em 27 de março. A decisão de suspensão nacional só ocorreu no início de setembro, quase um ano depois do alerta inicial.
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