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Domingo, 12 de Julho de 2026

Economia

A missão urgente de Lula, segundo Meirelles

"O nervosismo recente do mercado mostra a necessidade de um ajuste fiscal para conter a trajetória ascendente da dívida pública", alerta ex-presidente do Banco Central

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Por Veia Política
A missão urgente de Lula, segundo Meirelles
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Presidente do Banco Central nos dois primeiros governos de Lula, Henrique Meirelles dedicou sua coluna desta semana no Estadão para destacar o que considera uma missão urgente para o governo Lula a partir de janeiro de 2025.

“O nervosismo recente do mercado mostra que a necessidade de um ajuste fiscal para conter a trajetória ascendente da dívida pública é uma agenda urgente para o governo a partir de janeiro”, escreveu Meirelles, que também mencionou seu trabalho como ministro da Fazenda de Michel Temer (2016-2018), ressaltando os motivos pelos quais a economia se acelerou nos últimos dois anos.

“Não dura para sempre”

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Segundo Meirelles, o crescimento da economia foi, em parte, resultado do consumo do governo, com dinheiro público injetado na economia por meio de benefícios sociais, precatórios e outras despesas. “Teve efeito em 2024, mas isso não dura para sempre”, alertou o ex-presidente do Banco Central.

Ele também destacou que a instituição, que será comandada por Gabriel Galípolo, indicado por Lula, “cumpre sua missão de tentar ancorar expectativas e trazer a inflação para a meta” com o aumento de um ponto percentual na Selic, além de planejar novas elevações da mesma magnitude nas reuniões de 2025.

Controle de despesas será essencial

Meirelles afirmou que, para 2025, um controle de despesas será determinante. “O crescimento deste ano é, em parte, devido ao aumento de produtividade ocasionado pelas reformas no governo Temer”, comentou, destacando que “o PIB se expande a uma taxa de 3,4% em relação ao ano anterior, e a taxa de desemprego está em torno de 6%, um nível baixo para nossos padrões históricos.”

Desafios fiscais

O ex-presidente do BC também alertou que o mercado enxerga que o Banco Central está sozinho na missão de controlar a inflação, sem a ação do governo na mesma direção. “Há mais política monetária e menos política fiscal do que se esperava”, apontou.

O que acalmará o mercado

Meirelles finalizou sua coluna dizendo que a recente venda de dólares pelo Banco Central, a maior desde 1999, foi compreensível, mas que elas não devem ser usadas como remédio de curto prazo para debelar sintomas.

“O que acalmará o mercado e colocará as coisas no devido lugar é um conjunto de atitudes do governo para gastar menos e conter a alta da dívida pública”, concluiu.

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