A desistência do governador Ratinho Junior de disputar a Presidência em 2026 deixou o Partido Social Democrático diante de um dilema: manter o discurso de protagonismo nacional ou reconhecer, na prática, a perda de seu principal nome competitivo.
O presidente da sigla, Gilberto Kassab, optou pela primeira alternativa. Mesmo sem Ratinho Jr., ele afirma que o partido segue firme na proposta de apresentar uma candidatura própria, classificada como a “melhor via” para o país.
Retórica firme, base instável
O problema é que o discurso não elimina a realidade: o PSD perdeu justamente o nome que reunia melhores condições políticas para encabeçar uma candidatura nacional. Ratinho Jr. combinava alta aprovação regional, estrutura partidária e viabilidade eleitoral — atributos que não são facilmente substituídos.
Sem ele, o partido passa a depender de alternativas que ainda enfrentam resistências internas e limitações fora de seus estados.
A difícil construção de uma alternativa
A ideia de uma “terceira via” — ou “melhor via”, como insiste Kassab — esbarra em obstáculos conhecidos. Entre eles, a dificuldade de unificar o partido em torno de um nome e, principalmente, de criar conexão com um eleitorado já polarizado.
Na prática, a manutenção da candidatura própria parece mais uma estratégia de sobrevivência política do que uma demonstração concreta de força eleitoral. Abrir mão agora significaria reduzir o peso do PSD nas negociações futuras.
Entre o projeto e o cálculo político
A insistência de Kassab revela um movimento calculado: manter o partido relevante no debate nacional, mesmo sem um candidato claramente competitivo neste momento. Trata-se de ganhar tempo, testar nomes e preservar espaço político até que o cenário eleitoral esteja mais definido.
Eleição ainda em aberto
Apesar das dificuldades, o PSD aposta que o desgaste da polarização pode abrir espaço para uma candidatura alternativa. No entanto, isso exigirá mais do que discurso — será necessário apresentar um nome com densidade política real e capacidade de dialogar nacionalmente.
Por ora, o partido sustenta a narrativa de protagonismo. Mas, sem Ratinho Jr., a chamada “melhor via” segue mais como intenção do que como realidade concreta.
Comentários: